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Sobre o artista
Antonio Manuel (Avelãs de Caminha, Portugal, 1947) é um dos principais nomes da arte brasileira contemporânea e uma figura central da produção experimental das décadas de 1960 e 1970. Radicado no Rio de Janeiro desde 1953, desenvolveu uma trajetória marcada pelo constante deslocamento entre diferentes linguagens, incluindo pintura, performance, instalação, fotografia, cinema e intervenções urbanas. Sua obra articula experimentação formal e reflexão crítica, investigando as relações entre arte, corpo, política e liberdade. Em meados da década de 1960, estudou na Escolinha de Arte do Brasil, com Augusto Rodrigues, frequentou o ateliê de Ivan Serpa e foi aluno ouvinte da Escola Nacional de Belas Artes. Desde então, consolidou uma produção que atravessa mais de cinco décadas, marcada pela inquietação diante dos limites da arte e por uma permanente investigação sobre o contexto social e político brasileiro. Participou de momentos decisivos da arte brasileira, como a manifestação Apocalipopótese (1968), organizada por Hélio Oiticica e Rogério Duarte, e realizou, em 1970, a histórica ação O Corpo é a Obra, apresentada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Ao longo de sua trajetória, realizou importantes exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, participando de instituições como a Bienal de Veneza, Bienal de São Paulo, Guggenheim Museum, Tate Modern e Museum of Contemporary Art San Diego. Suas obras integram importantes coleções públicas e privadas, entre elas o MoMA (Nova York), Tate Modern (Londres), MAM Rio, MAM São Paulo e MAC Niterói.
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PESQUISA
A produção de Antonio Manuel é marcada pela constante experimentação de suportes e linguagens. Desde os primeiros trabalhos realizados com jornais e flans — matrizes de impressão utilizadas na produção gráfica —, sua obra investiga criticamente os mecanismos de circulação da informação, os sistemas de poder e as estruturas institucionais que atravessam tanto a sociedade quanto o próprio circuito da arte. Durante as décadas de 1960 e 1970, desenvolveu trabalhos que se tornaram referências da arte política brasileira, utilizando a participação do público, o corpo e a ação como instrumentos de contestação em meio ao contexto da ditadura militar. Mais tarde, sua pesquisa expandiu-se para o cinema, a instalação e a pintura, mantendo como eixo central a reflexão sobre liberdade, memória, espaço e experiência. Mesmo quando retorna à pintura, a partir da década de 1980, Antonio Manuel preserva o caráter experimental de sua produção. Suas composições geométricas, construídas intuitivamente, investigam relações entre ordem e instabilidade, ocultamento e revelação, criando estruturas que evocam tanto a arquitetura quanto os fluxos e tensões da vida urbana.
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PROCESSO
O trabalho de Antonio Manuel não se fixa em um único meio de expressão. Cada obra surge da escolha do suporte mais adequado à ideia que pretende desenvolver, fazendo da experimentação um procedimento permanente. Jornal, fotografia, pintura, filme, instalação, performance e objeto são utilizados como campos de investigação capazes de produzir diferentes formas de percepção e participação. Em sua pintura, desenvolvida principalmente a partir da década de 1980, o processo acontece de maneira aberta e intuitiva. Sem partir de projetos rígidos, o artista constrói cada composição a partir das decisões tomadas durante a execução da obra, permitindo que formas, cores e estruturas indiquem os caminhos do trabalho. Esse procedimento mantém vivo o caráter investigativo presente em toda a sua trajetória, aproximando a pintura da mesma liberdade experimental que orienta suas ações, instalações e intervenções.
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