Carol Ambrósio

  • Sobre a artista

    Carol Ambrósio é artista multidisciplinar. Sua pesquisa investiga a transformação da matéria por meio da destruição, recomposição e reutilização de objetos encontrados. Crescida no antiquário da família, desenvolveu um repertório profundamente ligado à memória material, às antiguidades e às narrativas inscritas nos objetos. Trabalhando principalmente com assemblages, cerâmicas e imagens apropriadas, cria esculturas e composições bidimensionais que operam pela metáfora. Questões relacionadas ao feminino, às estruturas de poder, ao pertencimento e às formas de resistência atravessam sua produção. Sua obra integra importantes coleções brasileiras, entre elas MAM São Paulo, MAM Resende, MAC Sorocaba e MAC Jataí.

  • PESQUISA

    A investigação de Carol Ambrósio parte da pergunta sobre aquilo que pode ser transformado. Cerâmicas tradicionais, porcelanas decorativas e objetos domésticos são coletados em antiquários, feiras e diferentes contextos para depois serem quebrados, reorganizados e convertidos em novos corpos escultóricos. Mais do que reutilizar materiais, a artista transforma narrativas. Objetos antes associados ao espaço doméstico passam a operar como metáforas sobre memória, gênero, pertencimento, poder e resistência. Também no campo bidimensional, imagens são recortadas e recombinadas em procedimentos que ampliam seus significados e produzem novas leituras visuais.

  • PROCESSO

    O gesto de destruir ocupa um papel central na prática de Carol Ambrósio. Em vez de restaurar ou preservar os objetos encontrados, a artista rompe suas estruturas para construir novas relações formais e simbólicas. A partir da coleta de porcelanas, cerâmicas e utensílios domésticos, desenvolve um processo de desmontagem e recomposição que transforma objetos cotidianos em esculturas e assemblages carregadas de novos significados. As marcas do tempo permanecem aparentes. Quebras, desgastes e imperfeições deixam de ser defeitos para integrar a narrativa das obras, preservando vestígios de suas histórias anteriores. Também em seus trabalhos bidimensionais, imagens são recortadas e reorganizadas em composições que operam pela metáfora, ampliando sua investigação sobre memória, transformação e ressignificação.

  • EXPOSIÇÕES

    Me fizeram de pedra quando eu queria ser feita de amor 

    Galeria Cassia Bomeny - 2025

     

    Uma arqueologia afetiva do cotidiano se revela na exposição de Carol Ambrósio. A partir da justaposição de peças cerâmicas — coletadas em antiquários, marcadas pelo uso e pelo tempo - a artista compõe corpos escultóricos que transbordam de significados. São obras que oscilam entre o objeto de parede, a peça de mesa e o totem, deslocando continuamente os limites entre função e forma, passado e presente, memória e reinvenção. Assim como no verso de Hilda Hilst que nomeia a exposição, a incompletude do desejo, ganha voz que discursa por meio das obras. Se há, nos contos de fadas, uma promessa de encantamento, aqui a narrativa se desfaz para dar lugar a outra espécie de fabulação: uma que expõe os silenciamentos, as ausências e as desigualdades inscritas nas práticas cotidianas. As obras erguem-se como contra-narrativas visuais, desafiando o lugar de subalternidade historicamente destinado às mulheres e propondo, por meio da arte, uma ocupação simbólica de novos espaços. Cada peça de porcelana — outrora utensílio, ornamento, parte de um equipamento doméstico - é recontextualizado em composições que suspendem o tempo funcional do objeto e o inserem em uma dinâmica poética e política. Ao recompor essas peças em novos arranjos escultóricos, Carol Ambrósio instaura um tensionamento entre a artesania do gesto e o conceitualidade da ação, entre o gênero do objeto e as estruturas que sustentam sua leitura. Nesse processo, o artefato se torna enigma, e a escultura, um campo de reflexão sobre memória, materialidade e agência. Um dos gestos mais significativos da artista está na valorização da imperfeição. As marcas visíveis do tempo, registradas inclusive nas descrições comerciais dos objetos originais, são mantidas como parte constitutiva da obra. Não se trata de ocultar o desgaste, mas de acolhê-lo como elemento expressivo - como índice de vida. Assim, as esculturas propõem uma ética da impermanência e sugerem que aquilo que é falho, quebrado ou incompleto pode conter uma forma mais autêntica de beleza.

    - Shannon Botelho [curador]

     

  • Jardim

    Centro Cultural Correios - 2026
    Apoio:  Cassia Bomeny Galeria

    Em Jardim, Carol amplia sua investigação sobre domesticidade, ornamentação e feminilidade. Cerâmicas, toalhas, porcelanas e bibelôs tornam-se estruturas híbridas que tensionam delicadeza e ruptura, transformando o universo doméstico em um campo de reflexão sobre construções sociais e formas de resistência. A exposição reúne esculturas inéditas, assemblages e trabalhos bidimensionais que aprofundam questões recorrentes em sua pesquisa.


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