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Sobre a artista
Gisele Camargo (Rio de Janeiro, 1970) é formada em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Vive e trabalha na Serra do Cipó (MG). Sua produção investiga as relações entre pintura, paisagem, arquitetura e imaginação, desenvolvendo um universo visual em que elementos figurativos e abstratos coexistem em constante transformação.
Ao longo de sua trajetória, construiu uma pesquisa baseada em séries que se desdobram e dialogam entre si. Suas pinturas, colagens, desenhos e instalações exploram diferentes modos de representar o espaço, criando imagens que transitam entre a observação da natureza, a memória arquitetônica e a construção de paisagens imaginárias. Entre suas principais exposições individuais estão Cápsulas e Luas (Paço Imperial, Rio de Janeiro, 2015) e Luas, Brutos e Sóis (Luciana Caravello Arte Contemporânea, Rio de Janeiro, 2018). Foi indicada ao Prêmio PIPA em quatro edições e recebeu, em 2013, o Prêmio Arte Patrimônio – Honra ao Mérito, concedido pelo IPHAN.
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PESQUISA
A pintura ocupa o centro da prática da artista, funcionando como um campo de investigação sobre paisagem, matéria e percepção. Sua produção articula elementos da arquitetura, da geologia e do imaginário para construir espaços que não pertencem inteiramente ao mundo real nem à abstração, mas habitam uma zona intermediária onde memória, natureza e construção se encontram. Desenvolvida em séries como Noite Americana, Paisagens Gráficas, Brutos e Erosões, sua pesquisa alterna superfícies lisas e luminosas com camadas espessas de tinta, aproximando geometrias rigorosas de formas orgânicas e fragmentadas. As obras sugerem paisagens em permanente transformação, nas quais estruturas arquitetônicas, rochas, vegetação e corpos parecem compartilhar um mesmo processo de formação.
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PROCESSO
O trabalho de Gisele Camargo é construído por meio da sobreposição de camadas, do diálogo entre diferentes materiais e da elaboração contínua de séries que se desenvolvem simultaneamente. Pintura, colagem, desenho e fotografia alimentam um processo em que imagens são constantemente revisitadas, fragmentadas e reorganizadas, dando origem a novas configurações espaciais. Sua prática alterna procedimentos de precisão construtiva com gestos mais intuitivos, explorando contrastes entre densidade e leveza, opacidade e transparência, figura e abstração. O resultado são composições que sugerem paisagens abertas à imaginação, nas quais o espaço é entendido como um organismo vivo, em permanente transformação.
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