Marco Túlio Resende

  • Sobre o artista

    Marco Tulio Resende é pintor, desenhista e professor. Estudou artes plásticas na Escola Guignard, em Belo Horizonte, entre 1971 e 1974, período em que conviveu com Amilcar de Castro (1920–2002), Sara Ávila (1932) e Lotus Lobo (1943). Participou da 12ª Bienal Internacional de São Paulo em 1973. Em 1975, realizou sua primeira exposição individual na Galeria do Instituto Cultural Brasil-Estados Unidos, em Belo Horizonte. Entre 1975 e 1979, cursou mestrado na School of the Art Institute of Chicago (Artic), nos Estados Unidos, como bolsista da Fulbright Commission. Em 1977, recebeu o prêmio de desenho no 9º Salão Nacional de Arte Contemporânea de Belo Horizonte e, em 1978, menção honrosa no Fellowship Contest promovido pelo Artic.

    De volta a Belo Horizonte em 1979, passou a lecionar na Escola Guignard. Em 1990, obteve uma bolsa do Goethe Institut para estudar na Alemanha. Em 1998, foi convidado a participar como artista visitante da Sheffield Hallam University, em Sheffield, Inglaterra.

  • O artista tem uma produção diversificada, trabalha com pintura, desenho, gravura, objetos, instalações e livros-objeto. Sua obra é marcada por um caráter intimista que, segundo o próprio artista, provém da tentativa de se ver no mundo, de se espelhar e se reconhecer nele. Para o artista plástico e crítico de arte Márcio Sampaio (1941), nessas obras Resende escreve também sua própria história: seu trabalho requer do espectador uma grande concentração, para seguir cada um dos momentos de sua vida ali apresentados e para prosseguir em sua leitura. Para Sampaio, as formas que realiza, como osso, martelo, torre, mão, cravo ou flor, aludem a sentimentos vivenciados pelo artista, como perdas, medos, desejos e desistências.

    Resende cria obras a partir de materiais do cotidiano, como madeira, tecido, terra, cristais e pedaços de ferro. Segundo a historiadora da arte Aracy Amaral, em Carro, 1999, o artista alude ao meio de transporte por meio de uma construção com madeira e barro, recriado-o assim de maneira precária. Já em Ilha, 1999, apresenta um cesto de madeira fechado por cintas de metal, em cujo interior coloca pedras. Em Jardim, 1999, constrói montes de barro de formato similar sobre uma base de madeira. Os trabalhos geram um certo desconcerto no observador. São imagens não usuais, compostas por objetos com os quais o artista se depara em seu dia-a-dia e que podem alcançar significados diversos. Representam também fragmentos de sua memória pessoal, recuperados em seus trabalhos.

    Para o historiador da arte Tadeu Chiarelli, em suas obras sobre papel o artista cria um campo exploratório especifico para a formulação de seu próprio imaginário. Nesses trabalhos, formas amputadas do corpo humano transformam-se em elementos modulares, dotados de forte concentração dramática.