Tomie + Mabe

11 Fevereiro - 6 Abril 2019
Apresentação

 

A importância dos artistas abstratos informalistas nipo-brasileiros, a muito são objeto de estudos e análises históricas. Suas caligrafias marcantes distinguem suas linguagens de outros grupos, que adotaram a abstração informal no Brasil e no mundo, os afastando em especial do tachismo europeu.

Nesse contexto estético-histórico dois grandes nomes se destacaram, um pela primogenía e sucesso, e outra pelo rigor da sua produção e organização de sua obra em blocos de décadas,
que foram reproduzidas em mais de uma dezena de livros, além de perpetua-la no instituto que leva seu nome.
Essa exposição organizada pela Cassia Bomeny Galeria de Arte no Rio de Janeiro reúne um significativo acervo de obras, dos maiores expoente desse movimento, de forma livre e bela.
Manabu Mabe (1924-1997, São Paulo) nascido em Kumamoto no Japão imigrou para o Brasil juntamente com sua família, que se dedicou ao trabalho na lavoura de café no interior do estado
de São Paulo. Em 1945, na cidade de Lins, aprende a preparar as telas e as tintas com o artista Teisuke Kumasaka. Sua grande sensibilidade e criatividade o conduziram para sua definitiva
opção de vida como artista. Na mesma época já em São Paulo capital, integrou-se ao Grupo Seibi e participou das exposições com esses artistas. No inicio dos anos 50 se aproximou do Grupo Guanabara, evoluindo sua linguagem da

figuração, para o abstracionismo informal. Nessa caminhada, Mabe incorporou alguns elementos da figuração, agora não mais representativa, mas como unidade de suas criações.
Em 1958 recebeu o Premio Leirner de arte contemporânea e no ano seguinte foi homenageado pela revista Time de Nova York, com o artigo intitulado The Year of Manabu Mabe.

Na quinta Bienal internacional de São Paulo recebeu o prêmio de melhor pintor nacional e o prêmio de pintura na primeira Bienal de Paris em 1986. No mesmo ano realizou uma retrospectiva de sua obra, com lançamento de seu livro definitivo e referência de seu trabalho. Tomie Ohtake (Kioto Japão, 1913-São Paulo, 2015) chegou ao Brasil em 1936 fixando-se em São Paulo. Em 1952 iniciou seus interesses pela pintura através do artista Keisuke Sugano. No ano seguinte integrou-se ao Grupo Seibi do qual já participavam Manabu Mabe, Teikashi Fukushima, Flavio-Shiró e Tadashi Kaminagai entre outros. Tomie definiu-se rapidamente pelo abstracionismo pesquisando diversas linguagens sobre papel. Desses exercícios surgiram suas primeiras pinturas de formas orgânicas. Na década de 60 Tomie viajou para os Estados Unidos e se depara com os trabalhos do Russo Mark Rothko. De volta ao Brasil desenvolveu uma serie de criações sob essa inspiração. Nas décadas seguintes aumentou a leveza das linhas e a intensidade das cores, demarcando sua obra em fases. Dedicou-se também á escultura e realizou muitas delas para espaços públicos de várias cidades do Brasil e do mundo. Em 1995 é agraciada com o prêmio Nacional de artes plásticas do ministério da cultura, pelo conjunto de sua obra. Em 2000 foi criado o instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.