Rodrigo de Castro

9 Maio - 24 Julho 2017
Apresentação
A Uma Galeria inaugura, no dia 9 de maio de 2017, a exposição individual no Rio de Janeiro do primeiro artista plástico Rodrigo de Castro, filho do consagrado escultor Amilcar de Castro (1920 – 2002). Com a curaria de Vanda Klabin, serão apresentadas cerca de 15 pinturas inéditas, em óleo sobre tela, produzidas este ano pelo artista mineiro, que atualmente vive em São Paulo.

 

"Ao longo de dezassete anos de atividade artística, a sua gramática pictórica se transformou em um campo fértil de pesquisa e inovações. O artista investiga a relação fluida dos campos cromáticos, contrapõe ritmos e problematiza o espaço interno aliado a um jogo rigoroso de derivações paralelas", afirma a curada Vanda Klabin, que acompanha a trajetória de Rodrigo há muitos anos, pois era muito próximo de seu pai, de quem fez diversas curadas.

Rodrigo de Castro participou de importantes entrevistas coletivas no MAM Rio, no Centro Cultural São Paulo e na Funarte, onde foi premiado no 11o Salão Nacional de Artes Plásticas, na década de 1990. Dentre seus projetos futuros, está a exposição “5 artisti brasiliani geometria”, que será realizada em novembro, no Palazzo Pamphilj, em Roma. A exposição, que também contará com a participação de Maria-Carmen Perlingeiro, Suzana Queiroga, Luiz Dolino e Manfredo de Souzanetto, seguirá para a Casa-Museu Medeiros e Almeida, em Lisboa, em 2018.

OBRAS EM EXPOSIÇÃO
Na Uma Galeria, Rodrigo de Castro apresentará sua produção mais recente, em que dá continuidade à pesquisa com os núcleos e o espaço, que vem se desenvolvendo desde o início de sua trajetória. As linhas, as núcleos e as formas são elementos presentes em suas pinturas. “São diálogos com as áreas de cor, com a proporcionalidade delas”, explica o artista.

A maioria das pinturas possui cores fortes e vibrantes, mas há também algumas obras em preto e branco e outras com pequenos pontos de cor. "Como componente essencial, a cor é tratada pelas suas qualidades visuais, seja para organizar a superfície da tela, seja para dinamizar o ritmo da construção e da geometria, com infinitas possibilidades de ordenação do espaço. A construção de extensas áreas cromáticas, indicativas de suas luminosidades e contrastes, traz a predominância das cores primárias – vermelho, azul e amarelo – ou as não cores, preto, cinza e branco", diz a curada.

Além de formas geométricas e de grandes áreas de cor, linhas finas, com núcleos diversos, também estão presentes em várias pinturas. “As linhas não dividem as áreas, elas na verdade marcam ou delimitam mais a geometria, o estudo das áreas, as
formas”, afirma o artista. A curada Vanda Klabin completa: "A presença constante das linhas negras ou coloridas, dispostas de forma horizontal ou vertical, não representa linhas de força, mas serve para acentuar as relações proporcionais e amplificar as zonas cromáticas. Todos os elementos que compõem o quadro tendem a se contrair ou a se dilatar até encontrar o seu equilíbrio, formando uma superfície relevante, um verdadeiro plano geométrico".

O artista destaca que suas pinturas possuem poucos elementos, mas que estes “conversam entre si”, sendo cada um deles fundamental para a construção do quadro. Seu processo de trabalho é longo. "Uso tinta a óleo, que demora para secar, então é um trabalho lento. Além disso, antes de pintar, há uma fase de estudo das cores, que não sai direto do tubo de tinta. O azul, por exemplo, misturo muito até chegar na sombra que quero, assim como o amarelo", conta o artista.

Rodrigo de Castro teve muitas influências em sua trajetória artística. “A formação do seu olhar tem referências culturais no ideário da tradição construtiva e na linguagem geométrica do neoplasticismo. Encontra ressonâncias nas obras de artistas que pontuaram a vanguarda da contemporaneidade, como Kazimir Malevich, Piet Mondrian, Josef Albers, Henri Matisse, Mark Rothko, entre outros. Rodrigo de Castro manifesta profunda admiração por Claude Monet e Vincent van Gogh – pela intensidade da cor de um lado e a poesia da luz, de outro. Segundo o artista, ambos realizando a sua obra a mesma coisa: acordes perfeitos de luz e cor”, conta Vanda Klabin. Rodrigo ressalta que também recebeu influências de pai e de artistas amigos dele com os quais conviveram desde a infância. No entanto, ao longo de sua trajetória, foi criando uma linguagem própria. "Pintura é uma atividade solitária. Com o tempo, você vai deixando de lado as influências e descobrindo um caminho próprio", diz o artista.

SOBRE O ARTISTA
Rodrigo de Castro nasceu em Belo Horizonte, em 1953. Vive e trabalha em São Paulo. Iniciou sua carreira na década de 1980. Sua pintura é rigorosa, sugere soluções. Mas ele recusa a associação de seu trabalho com o matemático e o científico. Gosta de chamar de geometria especial. Arte que vem da sensibilidade. Acredita que a vivência essencial do artista é com sua alma e consciência. Considere essencial nesse processo: a importância da prática, defenda que o fazer ensinar, que teoria só ensina teoria. Seu desafio é ser mais do que a reprodução de uma teoria. O artista experimenta relações de núcleos, desequilíbrios, harmonia e não estruturas complementares. No geral, suas pinturas são produto de estudos. Pesquisa cujo ponto de partida é a busca de construção com áreas de cor que instalam relações de contraste, profundidade, vibração luminosa e espacial.

Artista premiado, no 11º Salão Nacional de Artes Plásticas, Funarte, no Rio de Janeiro e agraciado com o Prêmio Principal, no 13º Salão de Arte de Ribeirão Preto, Rodrigo de Castro participou de diversas mostras individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, entre elas, uma exposição no MAM Rio, na década de 1990, ao lado de artistas como Nuno Ramos, Carlito Carvalhosa, Paulo Pasta, entre outros.

SOBRE A CURADORA
A carioca Vanda Klabin é formada em Ciências Políticas e Sociais pela Puc/Rio e em História da Arte e Arquitetura pela UERJ. Fez pós-graduação em Filosofia e História da Arte (PUC/Rio). Trabalhou como coordenadora adjunta da Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 anos; diretora geral do Centro de Arte Contemporânea Hélio Oiticica e coordenadora assistente do curso de pós-graduação em História da Arte e Arquitetura da PUC/Rio por muitos anos. Realizou diversas mostras coletivas tais como A Vontade Construtiva na Arte Brasileira, 1950/1960, Art in Brazil 1950/2011, Festival Europalia – Palais des Beaux – Arts (Bozar) – Bélgica, Bruxelas, Outubro 2011, entre muitas outras.

Responsável pela curaria e montagem de diversas exposições de artistas nacionais e internacionais como: Iberê Camargo, Alberto da Veiga Guignard, Eduardo Sued, José Resende, Carlos Zilio, Frank Stella, Antonio Manuel, Mira Schendel, Richard Serra, Luciano Fabro, Mel Bochner, Guilhermo Kuitca, Amilcar de Castro, José Resende, Walter Goldfarb, Nuno Ramos, Jorge Guinle, Antonio Bokel, Laura Belém, Niura Bellavinha, Alexandre Mury. Fernando de la Rocque, André Griffo, Joana Cesar, Leonardo Ramadinha, Luiz Aquila, Alfredo Volpi, Henrique Oliveira, Antonio Dias, Lucia Vilaseca, Daniel Feingold, André Griffo, Maritza Caneca, Renata Tassinari, Célia Euvaldo, entre outros.