Avelãs de Caminha, Portugal, 1964.
Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
Antonio Manuel da Silva Oliveira chega ao Brasil em 1953 e fixa residência com a família no Rio de Janeiro. Em meados da década de 1960, estuda na Escolinha de Arte do Brasil com Augusto Rodrigues (1913–1993) e frequenta o ateliê de Ivan Serpa (1923–1973). Nesse período, é também aluno ouvinte da Escola Nacional de Belas Artes (Enba).
Inicialmente, utiliza o jornal e sua matriz — o flan — como suporte para seus trabalhos. Realiza interferências e inventa notícias, nas quais aborda temas políticos e discussões estéticas.
Em 1968, na exposição Apocalipopótese, organizada por Hélio Oiticica (1937–1980) e Rogério Duarte, apresenta as Urnas Quentes — caixas de madeira lacradas que deveriam ser arrebentadas pelo público. Em 1970, propõe o próprio corpo como obra no Salão de Arte Moderna, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ).
Posteriormente, produz diversos filmes de curta-metragem, como Loucura & Cultura (1973) e Semi-Ótica (1975). A partir da década de 1980, realiza pinturas de caráter abstrato-geométrico, nas quais explora as ortogonais e a sugestão de labirintos.
Em 1994, apresenta a primeira versão da instalação Fantasma e, posteriormente, na 24ª Bienal de São Paulo, em 1998, continua a transitar pelo binômio revelar/esconder. A peça era composta por dezenas de pedaços de carvão pendurados em uma sala expositiva, acompanhados da fotografia de uma testemunha de um crime que já não poderia mais expor sua identidade.
Antonio Manuel também expôs a instalação Sucessão de fatos na Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, em 2003, e participou da 29ª Bienal de São Paulo, em 2010. Há obras do artista em importantes acervos do país, como o MAM-RJ, o MAM-SP e o MAC-USP.
Utilizando diversas formas de expressão, a obra de Antonio Manuel apresenta um caráter de inquietude e constante reflexão sobre o contexto social e político brasileiro.
