Rio de Janeiro, 1941.
Vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e Friburgo.
Nascido em 1941, no Rio de Janeiro, João Carlos Galvão inicia seus primeiros estudos de pintura em 1951. Entre 1964 e 1966, integra o quadro de alunos da Escola Nacional de Belas Artes da Universidade do Brasil. Posteriormente, transfere-se para Paris, onde frequenta, na Sorbonne, o curso de Sociologia da Arte com Jean Cassou. Nesse período, passa a frequentar os ateliês de Sérgio Camargo, Victor Vasarely e Jean-Pierre Yvaral.
Galvão constrói os alicerces plásticos e conceituais de sua obra a partir da geometria, do quadrado, do reflexo (cor) e da sombra (ilusão de cor). Ao fugir da simetria e exaltar as sombras das cores, busca a transfiguração. Trabalha a madeira com o objetivo de extrair e reinventar formas, todas produzidas a partir de um único desenho e de um ínfimo recorte.
O poder de criação de Galvão fundamenta-se na intervenção racional do desenho e nas formas e posições da madeira, uma vez dispostas no espaço bidimensional do quadro. O artista mantém um diálogo sensível e reversível com a matéria. Em diversos formatos — circulares, quadrados e/ou paralelepipedais — distribuídos na superfície plana da obra, cada bloco de madeira segue um alinhamento específico, justapondo-se aos demais e proporcionando múltiplas leituras, da esquerda para a direita ou vice-versa.
Os blocos criam grande tensão gráfica, construindo um verdadeiro alfabeto plástico. Embora pintados com uma ou mais cores, apresentam variações tonais como consequência da maior ou menor incidência de luz. Assim, torna-se evidente que a luz projetada sobre os blocos de madeira, aliada à movimentação do olhar do observador, promove o movimento virtual da composição dos quadros.