A Cassia Bomeny Galeria inaugura a exposição “Criaturas”, do artista visual Caio Marcolini, que vive e trabalha entre o Rio de Janeiro e o Porto, em Portugal. Com curadoria de Marcos Lontra, a mostra reúne dez obras inéditas de três séries distintas — “Sistemas”, “Híbridos” e “Colônia” (todas de 2025) — e apresenta o recente desdobramento da pesquisa do artista, que há mais de uma década transforma fios metálicos em estruturas tridimensionais de sutileza formal e complexidade técnica.
Entre o artesanal e o escultórico, o trabalho de Marcolini nasce de um gesto repetitivo e meditativo — um tecer contínuo que se aproxima tanto da ourivesaria quanto da arte têxtil. As peças, construídas a partir de fios de latão tramados e trançados manualmente, evocam sistemas vivos, rizomas e organismos em constante mutação. “Os fios metálicos desenham linhas no espaço e formam criaturas que parecem respirar diante de nós”, observa o curador Marcos Lontra, para quem a poética do artista está alicerçada em “equilíbrio, tensão e sensualidade”, atributos que unem rigor técnico e delicadeza.
A investigação de Marcolini se manifesta nas três séries apresentadas, em que ele aprofunda o diálogo entre forma e matéria, criando esculturas que parecem crescer organicamente, como se obedecessem a uma lógica interna. São obras que se fecham sobre si mesmas, formando circuitos autônomos, ou que se expandem em “colônias” — conjuntos que podem se agrupar ou existir de modo independente. Cada peça carrega o traço do tempo e do corpo em um processo que o artista descreve como “um fazer puro, intuitivo e contínuo”.